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O que é um lightstick? Entenda o símbolo que vai transformar o show do Stray Kids no Rock in Rio em um mar de luzes

Na estreia do Stray Kids no Rock in Rio, milhares de bastões de luz devem transformar a plateia em um oceano iluminado. Entenda como essa tradição nasceu, por que ela emociona fãs no mundo inteiro e o que representa para a cultura do K-pop

O que é lightstick

Quando as luzes da Cidade do Rock se apagarem no dia 11 de setembro e o Stray Kids subir ao Palco Mundo, um segundo espetáculo deve começar antes mesmo da primeira música. Em poucos segundos, milhares de pequenos bastões luminosos serão erguidos ao mesmo tempo, desenhando um verdadeiro oceano de luzes diante do palco. Para quem acompanha o universo do K-pop, a cena é parte da experiência. Para boa parte do público brasileiro, no entanto, ela ainda desperta curiosidade. Afinal, o que é um lightstick e por que ele se tornou um dos maiores símbolos da música pop sul-coreana?

Mais do que um acessório levado aos shows, o lightstick representa identidade, pertencimento e comunidade. Cada grupo possui um modelo exclusivo, criado para refletir sua história, sua estética e a relação construída com os fãs. Nas grandes apresentações, esses bastões iluminados deixam de ser apenas objetos individuais para transformar a plateia em parte do espetáculo.

A estreia do K-pop no Rock in Rio, com apresentações de Stray Kids, HWASA e NEXZ, deve apresentar essa tradição a um público muito mais amplo. Para muitos brasileiros, será o primeiro contato com um ritual que acompanha os grandes shows sul-coreanos há mais de duas décadas e ajuda a explicar por que o gênero se transformou em um fenômeno cultural global.

À primeira vista, um lightstick pode parecer apenas um bastão luminoso criado para acompanhar um show. No universo do K-pop, porém, ele ocupa um papel muito maior. Muito antes de as luzes se acenderem na arena, esse objeto já funciona como um símbolo de pertencimento, capaz de identificar fãs de um mesmo grupo em qualquer lugar do mundo.

Cada artista ou grupo possui um modelo oficial, desenvolvido especialmente para representar sua identidade. O formato, as cores, os detalhes e até o nome costumam dialogar com conceitos apresentados nos álbuns, videoclipes e narrativas construídas ao longo da carreira. Alguns lembram joias, outros fazem referência a instrumentos, brinquedos ou elementos presentes na história do grupo. Não existe uma fórmula: cada lightstick conta uma história.

Para quem acompanha o K-pop, carregar esse objeto durante uma apresentação é uma forma de demonstrar apoio aos artistas, mas também de se reconhecer como parte de uma comunidade que compartilha referências, emoções e experiências.

Quando a tecnologia também entra em cena

Os lightsticks também evoluíram junto com a indústria do entretenimento. Hoje, muitos modelos possuem conexão via Bluetooth e podem ser sincronizados automaticamente com o sistema de iluminação dos shows.

Na prática, isso significa que milhares de bastões mudam de cor, intensidade e ritmo ao mesmo tempo, acompanhando cada música do repertório. O efeito transforma a plateia em uma enorme instalação luminosa, planejada para dialogar com o palco e ampliar a experiência visual do espetáculo.

É uma diferença marcante em relação à maioria dos grandes shows ocidentais, onde a iluminação costuma partir apenas do palco. Nos concertos de K-pop, o público também ajuda a construir a cenografia.

Muito antes dos lightsticks se tornarem um dos maiores símbolos do K-pop, eram os balões coloridos que identificavam os fandoms.

Na década de 1990, durante a chamada primeira geração do gênero, cada grupo possuía uma cor oficial. Nos shows, milhares de fãs levavam balões para representar seus artistas favoritos, criando verdadeiros “mares de cores” nas arquibancadas. Bastava olhar para a plateia para reconhecer qual fandom ocupava determinado espaço.

Com o crescimento da indústria musical sul-coreana, essa tradição começou a mudar. Os balões deram lugar a objetos mais resistentes, personalizados e capazes de produzir efeitos luminosos. Um dos modelos pioneiros foi o Bang Bong, criado para o BIGBANG, grupo que ajudou a popularizar o conceito de lightstick moderno na segunda metade dos anos 2000.

A ideia rapidamente foi adotada por outros artistas e se tornou uma marca registrada do K-pop. Hoje, praticamente todos os grandes grupos lançam versões oficiais de seus lightsticks, muitas vezes atualizadas ao longo dos anos com novos recursos tecnológicos e referências à evolução da própria carreira.

Em um show de K-pop, o espetáculo não acontece apenas sobre o palco. Ele também nasce na plateia.

É justamente dessa interação que surge o chamado lightstick ocean, expressão usada para descrever o momento em que milhares de fãs levantam seus lightsticks ao mesmo tempo, formando um imenso oceano de luzes sincronizadas.

Mais do que um efeito visual, esse momento representa um ritual coletivo. Cada ponto de luz corresponde a uma pessoa que compartilha daquela experiência, criando uma conexão que ultrapassa o palco. Não por acaso, muitos artistas costumam comparar essa imagem a um céu estrelado.

Para os fãs, participar de um lightstick ocean é quase um rito de passagem. É quando a música deixa de ser apenas algo que se ouve para se tornar uma experiência vivida em comunidade.

Entre os inúmeros lightsticks criados pelos grupos de K-pop, poucos carregam um significado tão ligado à identidade dos artistas quanto o Nachimbong, do Stray Kids.

O nome é resultado da união de duas palavras em coreano: nachimban (bússola) e bong (bastão). O desenho também remete a esse instrumento de navegação, reforçando uma ideia que acompanha o grupo desde a estreia: seguir o próprio caminho, sem depender de fórmulas prontas ou de um destino previamente traçado.

Essa escolha faz sentido quando se observa a trajetória do Stray Kids. Formado em 2018, o grupo conquistou espaço apostando na produção autoral, em letras que falam sobre identidade, amadurecimento e liberdade criativa, além de uma sonoridade que mistura hip-hop, EDM, rock e música eletrônica.

O próprio lightstick traduz essa filosofia. Em vez de representar apenas o grupo, ele simboliza uma jornada construída em conjunto com os fãs.

O fandom oficial do Stray Kids é conhecido como STAY, nome escolhido para representar quem permanece ao lado dos artistas ao longo dessa caminhada. Essa relação aparece até mesmo no próprio Nachimbong, onde está escrita a frase “You make Stray Kids STAY”.

A expressão faz um jogo de palavras difícil de reproduzir literalmente em português. Ao mesmo tempo em que faz referência ao nome do fandom, também utiliza o verbo inglês to stay (“permanecer”), transmitindo a ideia de que são os fãs que ajudam o Stray Kids a seguir em frente.

Tem ainda um detalhe que costuma passar despercebido por quem vê o lightstick apenas pelas fotos. Durante os shows, o Nachimbong pode ser sincronizado automaticamente com o sistema de iluminação da arena, mudando de cor e intensidade de acordo com cada música. O resultado é um espetáculo visual em que milhares de pessoas parecem formar uma única plateia.

Não por acaso, muitos fãs descrevem o momento em que acendem seus lightsticks como uma das experiências mais emocionantes de um show do grupo. 

Embora o conceito seja o mesmo, nenhum lightstick é igual ao outro.

Cada grupo desenvolve um modelo próprio, pensado para refletir sua identidade visual e os símbolos que acompanham sua carreira. Alguns apostam em formas minimalistas. Outros se aproximam de brinquedos, joias ou objetos que fazem parte do universo criado pelos artistas.

Um dos exemplos mais conhecidos é o ARMY Bomb, do BTS, cujo formato lembra um pequeno globo iluminado. Já o Hammer Bong, do BLACKPINK, tem a aparência de um martelo de brinquedo nas cores rosa e preto, combinando com a estética irreverente do quarteto.

O Candy Bong, do TWICE, foi inspirado em um pirulito, enquanto o Carat Bong, do SEVENTEEN, faz referência direta ao nome do fandom. Entre os modelos mais recentes também está o Shining Star, do ATEEZ, que dialoga com a narrativa de aventura construída pelo grupo.

Com o passar dos anos, esses objetos deixaram de ser apenas acessórios para shows. Muitos fãs passaram a colecioná-los como lembranças afetivas, peças de design e símbolos de momentos especiais vividos ao lado de seus artistas favoritos.

Em muitos festivais e shows pelo mundo, o público participa da apresentação cantando, dançando ou acendendo a lanterna do celular. No K-pop, porém, existe toda uma cultura construída em torno dessa participação.

Assim como acontece com os fanchants, os coros organizados em que os fãs respondem aos artistas em momentos específicos das músicas. o lightstick ajuda a transformar milhares de pessoas em protagonistas da experiência.

Ele também funciona como um ponto de encontro.

Não é raro que fãs iniciem uma conversa apenas porque perceberam que outra pessoa carrega o mesmo lightstick. Nos grandes festivais, isso costuma facilitar amizades, encontros entre integrantes de fandoms e até a tradicional troca de photocards, freebies e outros itens colecionáveis que fazem parte da cultura do K-pop.

É justamente essa dimensão coletiva que ajuda a explicar por que o gênero ultrapassou as fronteiras da música. Hoje, ele movimenta moda, turismo, gastronomia, comportamento e uma indústria cultural capaz de reunir milhões de pessoas em diferentes partes do mundo.

Para quem vai assistir ao Stray Kids pela primeira vez no Rock in Rio, entender o significado do lightstick é também compreender por que os fãs costumam dizer que um show de K-pop é muito mais do que um concerto: é uma experiência compartilhada.

Quando o Stray Kids subir ao Palco Mundo no dia 11 de setembro, o Rock in Rio viverá um momento inédito. Pela primeira vez em seus 41 anos de história, o festival terá um dia dedicado ao K-pop, reunindo também apresentações de HWASA e NEXZ.

Mas a expectativa não está apenas sobre o que acontecerá no palco.

Se a previsão dos próprios fandoms se confirmar, a Cidade do Rock deverá presenciar o maior lightstick ocean já visto em um festival brasileiro. Milhares de bastões luminosos devem ser erguidos simultaneamente durante o show do Stray Kids, criando uma imagem que, até hoje, fazia parte apenas dos grandes concertos realizados na Coreia do Sul, no Japão, nos Estados Unidos e em outros mercados onde o gênero já está consolidado.

Mais do que um efeito visual, esse momento representa um encontro entre culturas. De um lado, um dos maiores festivais de música do planeta. Do outro, uma comunidade de fãs que transformou pequenos objetos iluminados em um dos símbolos mais reconhecidos da cultura pop contemporânea.

Quem já possui um lightstick e pretende levá-lo ao festival deve observar as orientações divulgadas pela organização.

O Rock in Rio permitirá a entrada dos lightsticks oficiais dos artistas que fazem parte do line-up do dia 11 de setembro, além de modelos genéricos que sigam o mesmo padrão dos produtos originais.

Os acessórios deverão:

  • ser confeccionados em plástico;
  • funcionar com pilhas;
  • ter até 24 centímetros de altura;
  • pesar no máximo 400 gramas.

Modelos que não atendam a essas especificações poderão ter a entrada restringida.

Se depender da energia dos fãs do Stray Kids, o dia 11 de setembro tem tudo para entrar para a história não apenas como a estreia do K-pop no Rock in Rio, mas como o momento em que milhares de pessoas iluminaram a Cidade do Rock para celebrar uma paixão em comum.

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