Elton John, Gilberto Gil e Roupa Nova: o quarto dia do Rock in Rio 2026 foi de gerações em festa

O quarto dia do Rock in Rio 2026 aconteceu nesta segunda-feira (7), feriado de Independência, e trouxe uma dinâmica bem diferente do sábado e domingo de muita chuva. Foram pouquíssimos momentos de garoa, rápidos e passageiros, e a Cidade do Rock viveu a noite lotada, com energia lá em cima do início ao fim.
O Palco Sunset recebeu um dos reencontros mais esperados por quem cresceu ouvindo rádio nos anos 1980 e 1990: Roupa Nova, de volta ao festival 35 anos depois de sua única aparição por lá, em 1991, com Guilherme Arantes como convidado especial e em sua estreia no maior festival de música do mundo. O show foi impecável, recheado de hits que atravessaram gerações, como “Dona”, “Whisky a Go Go”, “Volta pra Mim”, “A Viagem” e “Coração Pirata”, em um repertório de mais de 45 anos de carreira que provou, ao vivo, por que essas melodias seguem tão vivas na memória afetiva do público brasileiro.

Foi justamente esse peso de repertório que ficou entalado numa apresentação curta demais. Conversamos com parte do público durante o show, numa pequena sondagem informal, e a percepção se repetiu em cada relato: aquele encontro entre Roupa Nova e Guilherme Arantes tinha densidade, catálogo e apelo geracional de sobra para ocupar o Palco Mundo, com um tempo de exibição mais próximo de duas horas do que dos poucos minutos reservados a ele no Sunset. Um reencontro de mais de três décadas, com esse volume de clássicos, pedia mais espaço para respirar.
Já no Palco Mundo, a noite reservou um dos encontros mais emocionantes da edição. Gilberto Gil subiu ao palco recheado de emoção, e o público de diferentes gerações dançou, cantou, pulou e vibrou com a energia desse orixá vivo, dessa entidade cultural e musical da nossa música brasileira. Aos 84 anos, ele revisitou seis décadas de carreira, relembrou sua presença na primeira edição do festival em 1985 e chegou a sugerir que aquele poderia ser seu último show na Cidade do Rock, o que arrancou um “não” coletivo e sonoro da plateia.

Fechando a noite, e de certa forma fechando um ciclo, subiu ao Palco Mundo o inglês Elton John. Sir Elton fez uma pausa em sua aposentadoria dos grandes palcos apenas para se despedir dos fãs brasileiros, já que o Brasil tinha ficado fora da rota de sua turnê de despedida “Farewell Yellow Brick Road”. Foi um show tomado por lágrimas, com momentos como “Candle in the Wind” e “Your Song” encerrando a apresentação em clima de celebração e gratidão mútua entre artista e público.
Também no Palco Sunset, mais cedo, aconteceu um dos fenômenos da noite. Péricles deixou o pagode de lado por uma hora e se dedicou a um projeto inédito, “Péricles Canta Motown”, passeando por clássicos de Stevie Wonder, Marvin Gaye, The Jackson 5, The Temptations, Smokey Robinson, Boyz II Men e Lionel Richie, num repertório de 15 músicas cantado do início ao fim pelo público. Foi um mergulho na música negra norte-americana que confirmou o apelido de “Rei da Voz” nas redes sociais depois do show, e que mostrou uma versatilidade rara para quem é conhecido pelo pagode romântico. É desse tipo de projeto, redondo e emocionante como esse, que a gente sai na torcida para ver ganhar vida própria e rodar o mundo em turnê.
O Espaço Favela, um dos palcos mais simbólicos e um dos meus preferidos, da Cidade do Rock, também teve seu capítulo especial na quarta noite. Mart’nália subiu ao palco no início da programação, e Belo, embaixador do espaço, fechou a noite arrastando uma multidão para um dos points mais concorridos do dia. Emendando sucessos como “Derê”, “Nuvem”, “Supera” e “Farol das Estrelas” com uma banda afiada, ele lotou de forma absurda aquele cantinho do festival e ainda recebeu ex-participantes do “Estrelas da Casa”, da TV Globo, reafirmando por que o pagode romântico dos anos 1990 segue tão vivo décadas depois.
Fica ainda um adendo sobre o clima geral da noite: a Cidade do Rock estava extremamente lotada e linda, diversa, colorida e muito feliz, com um público de gerações e estilos completamente diferentes dividindo o mesmo espaço em harmonia.
Vivemos, assim, momentos históricos nessa quarta noite de Rock in Rio, com uma dinâmica totalmente diferente da véspera: a Cidade do Rock lotada, o clima ao lado da gente e a energia lá em cima, do início ao fim, embalada por gerações diferentes que se encontraram e se emocionaram no mesmo palco. Sexta-feira tem mais!
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