A chuva chegou, o vento ganhou força ao longo da noite e o público topou driblar tudo isso para acompanhar um sábado inteiro dedicado ao rock e metal na Cidade do Rock

O segundo dia do Rock in Rio 2026 confirmou o que a previsão já anunciava desde a véspera. A chuva chegou, o vento ganhou força ao longo da noite e o público topou driblar tudo isso para acompanhar um sábado inteiro dedicado ao rock e ao metal na Cidade do Rock. Entre estandes concorridos, filas por brindes e um encerramento daqueles que ficam guardados na memória com o Avenged Sevenfold, o dia mostrou como o festival tem lidado com o clima instável que marca esta edição.
A chuva que não deu trégua
A manhã de sábado começou aberta, mas o céu fechou por volta das 12h30, pouco antes da pré-abertura dos portões. Segundo o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), a atuação de áreas de instabilidade somada ao deslocamento de uma frente fria trouxe céu nublado e chuva fraca a moderada durante a tarde. O alerta mais forte veio para a virada da noite: pancadas de chuva moderada a forte entre o fim de sábado e a madrugada de domingo, acompanhadas de raios e rajadas de vento que podiam chegar a 80 km/h.
O clima molhado virou até assunto no palco. Durante o show de encerramento, o vocalista do Avenged Sevenfold, M. Shadows, notou a plateia mais contida do que o esperado e brincou direto do Palco Mundo: “Vocês estão tão educados hoje. É a chuva?”. Por volta das duas da manhã, parte do público já deixava a Cidade do Rock, cansada depois de um dia longo de garoa.
Estandes concorridos e filas de mais de uma hora
Antes mesmo de pensar no line-up, muita gente organizou o dia em torno dos estandes. O Rock in Rio 2026 reúne mais de 100 ativações e cerca de 90 marcas parceiras na Cidade do Rock, com a promessa de distribuir cerca de um milhão de brindes ao longo dos sete dias de festival. As minicâmeras digitais seguiram entre os itens mais disputados, e a corrida por elas gerou filas de mais de uma hora em pontos como os estandes que ofereciam esse tipo de produto.
Marcas como Cif, Superbet, Trident, Prudential, LATAM e Volkswagen fizeram parte do roteiro paralelo aos shows que muitos frequentadores montaram com antecedência, decidindo quanto tempo valia a pena gastar em cada fila. Apesar do tempo instável, não houve registros de problemas estruturais nos estandes nem informações de fechamento antecipado das ativações por causa da chuva.
Panorama musical: o dia do metal rejuvenescido
O Palco Mundo reservou o sábado para uma escalação mais pesada, com Sepultura, Machine Gun Kelly e a estreia histórica do Bring Me the Horizon no festival. O encerramento ficou por conta do Avenged Sevenfold, que subiu ao palco com atraso de trinta minutos, cenografia minimalista e um repertório de 16 músicas passeando por praticamente três décadas de carreira. Faixas como “Nightmare”, “Afterlife” e “Seize the Day” animaram o público, enquanto o show terminou com a imersiva “Cosmic”, embalada por fogos de artifício.
No Palco Sunset, Poppy estreou no Rock in Rio misturando metal e pop em um figurino verde e azul, ao lado de uma banda mascarada, antes de o Bad Omens fechar a noite. A programação do dia também levou o Espaço Favela, o New Dance Order e o Palco Supernova a funcionarem em paralelo, reforçando a proposta de um festival com cinco palcos simultâneos.
Uma passada pelos outros palcos da Cidade do Rock
Enquanto o Palco Mundo e o Palco Sunset concentravam os grandes nomes do dia, a Cidade do Rock seguia funcionando em vários endereços ao mesmo tempo. O New Dance Order recebeu James Hype, Volkoder, Camila Jun x Eli Iwasa e Victor Lou embalando a pista eletrônica, enquanto o Espaço Favela levou Major RD, Canto Cego e Banda Quanto ao público que prestigia a cena da periferia carioca. Já o Global Village reuniu Korzus, o encontro de Noturnall com Russell Allen e Rhegia em um recorte mais voltado ao metal nacional.
No Palco Supernova, quem fechou a programação da tarde foi a Supercombo, e o show ficou entre os pontos altos do dia para quem gosta daquele clima de show pequeno e acolhedor, em que a plateia canta junto do primeiro ao último minuto. A banda paulista é conhecida justamente por esse tipo de entrega, construída em quase vinte anos de carreira e em hinos como “Piloto Automático” e “Remédios”, que transformam ansiedades do cotidiano em coro coletivo.
Política também subiu aos palcos
O segundo dia do Rock in Rio 2026 também teve espaço para discursos políticos, em um ano marcado pelas eleições presidenciais de outubro. O momento mais comentado aconteceu durante o show da Supercombo no Palco Supernova, quando o vocalista Leo Ramos interrompeu a apresentação para defender a renovação do Congresso e do STF e pedir que o eleitorado “varra a extrema-direita do país” no dia 4 de outubro. Segundo diversos veículos, a transmissão do Canal Bis foi cortada por cerca de quarenta segundos durante a fala, com a emissora alegando uma oscilação de sinal. O episódio repercutiu nas redes, com fãs da banda e internautas classificando o corte como censura.
Mais cedo, no Palco Sunset, a Black Pantera também usou o microfone para falar de política e de pautas sociais. O trio mineiro discursou contra o fim da escala de trabalho 6×1 antes de tocar “Tradução”, além de fazer críticas diretas ao racismo e à extrema-direita durante a apresentação, que teve a Nervosa como convidada especial. Assim como no caso da Supercombo, parte do público notou que a transmissão de TV enfrentou uma falha técnica pontual justamente durante a participação da vocalista convidada.
Os brinquedos resistiram ao vento
Apesar da previsão de rajadas de até 80 km/h, não foram encontrados registros oficiais de paralisação dos cinco brinquedos que ocupam a Cidade do Rock nesta edição: Roda-Gigante Itaú, Tirolesa Heineken, Montanha-Russa iFood, Megadownload TIM e Discovery Superbet. O esquema de segurança do festival já previa esse tipo de cenário. Como parte do planejamento geral para os sete dias de evento, o Corpo de Bombeiros mobilizou 600 militares e incluiu no protocolo um exercício operacional específico voltado à roda-gigante, além de estrutura para ocorrências com múltiplas vítimas.
Segurança: monitoramento reforçado e poucos incidentes confirmados
A operação de segurança do Rock in Rio 2026 soma 7.680 agentes entre Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Operação Lei Seca, com policiais à paisana concentrados no combate a furtos de celular, reconhecimento facial e monitoramento por câmeras e drones. Na central de monitoramento do festival, três pessoas procuradas pela Justiça foram identificadas neste segundo dia. No primeiro dia, dois drones não autorizados haviam sido detectados e apreendidos nas proximidades do evento.
Até o momento, a Polícia Civil não divulgou um balanço fechado de furtos referente especificamente ao sábado, e a estrutura de atendimento dentro da Cidade do Rock, com totens de registro e a 16ª DP funcionando no local, segue recebendo eventuais ocorrências sem que o público precise deixar o festival. Já no entorno do evento, ganhou repercussão um caso à parte: a Polícia Civil abriu investigação sobre uma suposta conduta homofóbica do streamer GH Rell RJ contra o ator João Victor, ocorrida durante a madrugada de sábado nas imediações do Rock in Rio.
O que esperar para domingo
A previsão para o terceiro dia do Rock in Rio aponta um volume de chuva maior do que o registrado neste sábado, com máxima de 22°C e sensação de frio ao longo da noite. A Marinha do Brasil chegou a emitir aviso de ressaca para o litoral fluminense, com ondas de até 2,5 metros entre Cananéia e Arraial do Cabo. Calvin Harris assume o posto de atração principal do Palco Mundo, e a recomendação segue a mesma de sábado: capa de chuva é item obrigatório na mochila, já que guarda-chuvas continuam proibidos dentro da Cidade do Rock.
Entre a lama que se forma nos corredores, os fogos que fecham os grandes shows e o público que insiste em ir até o fim mesmo debaixo d’água, o segundo dia do Rock in Rio 2026 confirmou que o festival segue sendo, acima de tudo, uma prova de resistência coletiva ao lado da trilha sonora.











