Entre atrações desgastadas, no Palco Mundo, e misturas inusitadas, no Palco Sunset, o sexto dia do Rock in Rio seguiu sem chuva

Neste sábado, 12 de setembro de 2026, a Cidade do Rock viveu o sexto dia do Rock in Rio 2026 sob um alívio que boa parte do público só sentiu ao chegar ao Parque Olímpico. A chuva que a previsão indicava para o fim de semana não se confirmou durante a tarde e noite. Pela manhã, ainda durante a passagem de som dos artistas, uma garoa fraca chegou a cair sobre a estrutura do festival, mas perdeu força rapidamente. Quando os portões abriram, às 14h, o céu já estava seco, e assim permaneceu ao longo do dia.
Com o tempo colaborando, o sexto dia entregou um dos cartões de visita mais completos da edição, misturando uma imersão na cultura popular nordestina, o retorno de uma diva pop internacional e o fechamento com uma banda que já é quase sinônimo do festival.
João Gomes transformou o Sunset em Pernambuco
Antes mesmo de o pernambucano João Gomes pisar no Palco Sunset, o chão da Cidade do Rock já vivia outro festival. Um cortejo puxado por um Galo da Madrugada de dezesseis metros e pelo Maracatu, percorreu as áreas do evento a partir das 19h, levando frevo, maracatu e bonecos gigantes para o meio do público antes de chegar ao palco.
Às 20h10, João Gomes assumiu o Sunset ao lado da Orquestra Brasileira, formação criada especialmente para a apresentação, que uniu piseiro, forró e frevo em arranjos ampliados. O show abriu com “Eu tenho a senha” e passou por sucessos como “Dengo” e “Aquelas coisas”, com participação do maestro Spok, que emocionou o próprio cantor. O resultado foi um dos espetáculos mais celebrados da noite, e um dos que mais reforçam o papel do Rock in Rio como vitrine de identidades regionais brasileiras.
Demi Lovato reencontrou o público brasileiro no Palco Mundo
Quatro anos depois de estrear no festival, Demi Lovato voltou ao Palco Mundo às 21h20 para um show que reafirmou o vínculo da cantora com os fãs no Brasil. A apresentação abriu com “Fast”, faixa do álbum mais recente, “It’s Not That Deep”, e seguiu por um repertório generoso, com “Heart Attack”, “Confident”, “Give Your Heart a Break”, “Skyscraper”, “Stone Cold”, “Sorry Not Sorry” e “Really Don’t Care” cantadas em coro pelo público.
O ponto alto veio na reta final, quando Pabllo Vittar subiu ao palco para dividir “Cool for the Summer” com Demi. As duas cantaram e caminharam juntas pelo palco, em um momento que resumiu bem o carinho mútuo entre a artista e o público que a recebeu de volta à Cidade do Rock.
Maroon 5 fechou a noite, mas a fórmula já mostra sinais de cansaço
Encerrando o Palco Mundo às 00h05, o Maroon 5 cumpriu o papel de headliner sem grandes surpresas. A passagem marcou mais uma passagem da banda, que se apresenta no Brasil desde 2004, e essa frequência já se faz notar na resposta do público. Parte considerável da plateia deixou a Cidade do Rock antes mesmo do início do show, um sinal de que a presença recorrente da banda no line-up talvez já não desperte a mesma expectativa de outras edições. Cansou!
Não se trata de questionar a competência do grupo em palco, mas talvez seja hora de o festival repensar essa escolha para as próximas edições. Abrir espaço para atrações que ainda não passaram pelo Rock in Rio, ou que voltam depois de um intervalo maior, pode renovar a curiosidade do público na reta final da programação e trazer de volta aquele frisson de expectativa que marcou boa parte da noite com João Gomes e Demi Lovato, por exemplo.
No sexto dia do Rock in Rio fica como um retrato da diversidade que sustenta o festival, capaz de colocar lado a lado uma celebração da cultura pernambucana, o pop internacional e os limites de uma fórmula que já rendeu bons frutos, mas pede renovação.
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