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Em show de Lenine quem celebrou a química do Carbono foi o público

Estive em Santo André – SP, no sábado, 05-09, para acompanhar o show do novo CD de Lenine. Véspera de feriadão, frio e um pouco de chuva, clima típico do grande ABC em certos meses do ano. O público estava muito animado e, além das novas canções, ansiava por músicas antigas. Os grupinhos de amigos cantavam, juntos, alguns dos grandes sucessos do pernambucano, antes mesmo do início do show.

Lenine. Foto: Flora Pimentel

Lenine. Foto: Flora Pimentel

O que pude perceber é que Lenine e sua banda encontram-se maravilhosamente entrosados, trafegando por diversos estilos e deixando nítida a marca do rock, aquele rock “leniniano”, de sotaque pernambucano, misturado à psicodelia sonora. Uma verdadeira alquimia moderníssima de sons. “Carbono”, foi aceito logo de cara!

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A presença da cultura do seu Estado natal é muito forte e aparece sempre, engrandecendo ainda mais o espetáculo. Até mesmo uma citação de “Sol e Chuva” do álbum “VIVO” de Alceu Valença e um instrumental de “Madeira Que Cupim Não Rói”, de Capiba, apareceram durante o show. Referências ao Maracatu também estavam lá, misturadas com a potente guitarra e os efeitos de Tostoi.

O palco do show, idealizado por Natali Guimarães e Roberto de Cássia, tem um visual de estúdio de fotografia com a brilhante ideia de colocar pneus picotados no piso. Fiquei encantado ao ver aquele cenário de cor negra recebendo as luzes de canhões em uma sincronia perfeita com o áudio.

E por falar em palco, a energia que os músicos, além de seu líder, emanam lá de cima até a plateia é de uma positividade sem igual.

Lenine. Foto: Fabricio Ramos

Lenine. Foto: Fabrício Ramos

A banda toda trabalha muito para que o resultado final seja impecável, foi o que pude ver e sentir. Bruno, tocando guitarra e bandolim, deixou Tostoi mais solto na guitarra e nas programações além de, vez por outra, trafegarem todos pelo palco. Pantico Rocha na bateria é um show à parte, assim como os graves de Guila (Baixo e vocais) parceiro do pernambucano de longa data.

O público é muito variado, distribuído na pista e nos camarotes e isso nos faz perceber a força da música de Lenine, adentrando nas mais diversas cabeças e deixando malucos e caretas enfeitiçados com a sua sonoridade e desenvoltura no palco.

Lenine conversou e interagiu com o público. Brincou e respondeu brincadeiras. Em certa ocasião explicou que era o show do novo álbum e que tocaria as músicas novas, mas, em seguida, perguntou ao público quais as canções antigas que eles queriam ouvir e atendeu o desejo, naquele momento, tocando “Hoje Eu Quero Sair Só” e “Paciência”, sem a banda, só com seu violão e o apoio vocal do público.

Lenine. Foto: Fabricio Ramos

Lenine. Foto: Fabrício Ramos

A parte instrumental foi executada com perfeição até mesmo quando os músicos, por duas vezes, começaram a andar por todo o palco, tocando e gritando junto com Lenine. Os músicos, como normalmente acontece, tinham o seu lugar no palco, mas, nesses momentos, aquele negócio de ficar parado se transformava numa locomotiva de vagões descontrolados, onde, cada um ia para um lado com expressões fortes e gritos desconcertantes. Sem dúvida, dois dos momentos marcantes e um dos pontos altos do show.

Por falar em pontos altos, a plateia também marcou presença fortemente, no clube Atlético Aramaçan, cantando os “clássicos” sons de Lenine e gritando bastante a cada intervalo de música. “Lindo”, “te amo”, “delícia”, foram ouvidos incontáveis vezes. Lenine, com prazer, deu seu melhor e recebeu o melhor do público de Santo André.

Na plateia, o empolgadíssimo Neri Norambuena me confidenciou: “Lenine se propôs a fazer cultura brasileira.” E continuou: “Lenine devolve tudo que recebe do público.”

E falamos no ponto alto do show, o ponto fraco teremos que dispensar, pois simplesmente, não existiu.

Os amantes da música brasileira, feita e executada com total competência, lavaram a alma, esquentando aquela noite fria do ABC Paulista. Ficou claro que a música de qualidade continua desfilando por palcos de todo o Brasil, independentemente de estar ou não tocando em rádios.

Lenine. Foto: Fabricio Ramos

Lenine. Foto: Fabrício Ramos

Depois de mais de uma hora e meia de show, Lenine e “Carbono” se despedem de Santo André, mas, antes de irem embora, voltaram para dar o “Bis.” Além disso, o pernambucano, gentilmente, foi atender ao público, com toda sua simpatia e cordialidade.

Este foi o segundo show que assisti de Lenine no ABC Paulista. O outro foi na estreia do álbum “Labiata”. O que tenho a dizer é: Obrigado Lenine, toda sua produção e, por favor, voltem o mais rápido possível!!

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