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Para além da escravidão: o novo olhar do MHN sobre a liberdade negra

Exposição internacional no Museu Histórico Nacional propõe uma jornada sensível pela resistência e construção da liberdade negra no mundo, com olhar histórico e decolonial

Para além da escravidão

Entre 13 de novembro de 2025 e 1º de março de 2026, o Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, abre suas portas para uma das mostras mais relevantes dos últimos anos: “Para além da escravidão: construindo a liberdade negra no mundo”. A exposição internacional propõe uma travessia sensível pela história da diáspora africana e pelas múltiplas formas de resistência e reconstrução da liberdade negra ao longo dos séculos.

Resultado de uma parceria entre o Center for the Study of Global Slavery, da Smithsonian National Museum of African American History and Culture, o Ruth J. Simmons Center for the Study of Slavery and Justice, da Universidade de Brown, o Center for Latin American Studies, da Universidade de Pittsburgh, além do Museu Histórico Nacional, do Arquivo Nacional e do projeto Passados Presentes, a mostra reúne artefatos, documentos, obras de arte e instalações imersivas que questionam as narrativas hegemônicas sobre o passado e celebram a criatividade e a força das comunidades negras no enfrentamento à opressão.

Mas “Para além da escravidão” não se limita à denúncia. Ela propõe uma reflexão sobre as formas de liberdade conquistadas, e reinventadas, pelos povos africanos e seus descendentes em diferentes partes do mundo. É uma exposição sobre reconstrução de identidades, ressignificação da memória e afirmação da humanidade negra frente à brutalidade do sistema escravista.

Ao escolher sediar essa mostra, o MHN também se abre a um debate urgente: o papel dos museus na reinterpretação da história colonial e na visibilização das experiências negras que moldaram o Brasil. Em um país onde a escravidão durou mais de trezentos anos e ainda ecoa em desigualdades sociais e raciais, revisitar o passado é um ato político e pedagógico.

A exposição, ao reunir instituições de pesquisa e memória de diferentes continentes, também reforça a dimensão transatlântica dessa história. A luta pela liberdade negra não é uma narrativa isolada — ela atravessa oceanos, conecta territórios e reflete uma rede global de resistências, desde as revoltas quilombolas e as comunidades de fugitivos até os movimentos por direitos civis e justiça racial do século XX.

Nesse contexto, a presença de projetos como o Passados Presentes — que mapeia e dá visibilidade a comunidades quilombolas no Brasil — reforça a importância de pensar a história como algo vivo, que pulsa nos corpos, nos territórios e nas memórias coletivas. Assim, “Para além da escravidão” se torna também uma celebração do protagonismo negro feminino e comunitário, muitas vezes silenciado, mas essencial para a reconstrução das liberdades possíveis.

Mais do que uma visita, a mostra é um convite à escuta e à revisão crítica do que aprendemos — e do que ainda precisamos aprender — sobre as formas de existir e resistir da população negra ao longo dos séculos.

Serviço:
Museu Histórico Nacional – Praça Marechal Âncora, s/n – Centro, Rio de Janeiro
De 13 de novembro de 2025 a 1º de março de 2026
De quarta a domingo, das 10h às 17h
Entrada franca
Agendamento de grupos e escolas: mhn.agendamento@museus.gov.br

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