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Cusco, o que fazer na capital do Império Inca?

Cusco é, no melhor sentido da palavra, uma cidade pitoresca. Em meio a inacreditáveis muros incas e catedrais espanholas, pessoas do mundo inteiro circulam por suas incontáveis vielas ou praças cheias de história. Come-se bem, caminha-se tranquilo, respira-se cultura.

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Fundada por volta de 1200 como capital do império Inca, o local já era habitado certamente muito antes disso por outras civilizações andinas. Em meados do século XV, auge do império, de lá os incas comandavam uma vasta extensão territorial que se estendia desde o sul da Colômbia, passando por Equador, Perú, Bolívia até regiões de Argentina e Chile. Como imaginar que tal civilização tão avançada, numerosa e diversa tenha caído diante de um inimigo numericamente tão inferior, e porque não dizer talvez até, mais bárbaro? Os incas viviam na metade do milênio um período de grande instabilidade política interna, sofreram severas perdas pela varíola trazida pelos europeus e eram militarmente menos preparados. Cusco sucumbiu aos espanhóis em 1533, foi saqueada e transformada permanentemente.

Quase 5 séculos depois, o que se vê hoje é uma miscigenação interessantíssima de culturas e arquiteturas. Sobre alicerces incas com encaixes perfeitos ergueram-se muros não tão perfeitos da era colonial. Em meio aos deuses andinos, crucifixos cristãos proliferaram em um sincretismo religioso único e pouco provável. Espanhol e quechua dão nomes a montanhas, templos e pessoas.

A cidade nos capturou com sua atmosfera peculiar logo na largada. A 3.400 metros de altitude (acima do mais alto pico brasileiro, o Pico da Neblina), o ar mais rarefeito marca presença nas primeiras ladeiras. Há muito o que fazer caminhando. Saia do hotel com dicas e alguns objetivos, deixe o resto para o acaso. Entrar em lugares que pareçam interessantes pode gerar surpresas agradáveis. Cusco é cheia de cantos.

Dentre lugares de visitação obrigatória estão Qorikancha e Sacsayhuaman, duas grandes obras da máxima técnica e refinamento inca. O primeiro, erguido originalmente como o Templo do Sol, era um lugar sagrado, destinado apenas ao imperador e aos sacerdotes mais graduados. Após a conquista espanhola foi transfigurado em um convento dominicano, dando fim parcial a uma das principais relíquias pré-colombinas.

O segundo trata-se de uma fortaleza, um monumento erguido no topo de uma colina, debruçado sobre o centro de Cusco, de onde se tem provavelmente a melhor vista da cidade. Das ruínas de Sacsayhuaman restam hoje lembranças de um passado um dia glorioso e muros erguidos com imensas pedras de mais de 100 toneladas, transportadas sabe-se lá como e cortadas com prescisão incompreensível. É assombrosa a capacidade construtiva de uma civilização que floresceu paralelamente e à margem do que se imaginava como “o mundo civilizado”.

Com alpacas, lhamas e vicunhas, os peruanos são mestres na arte da tecelagem em lã. Em Cusco encontra-se de tudo, do basicão mais grosseiro produzido em escala à peças manufaturadas com capricho e bom gosto. Do muito barato ao caro ás vezes bastam poucos passos. Vale incluir na visita uma passagem por algum dos centros de produtores locais, como o Centro Artesanal Cusco.

Interessante também é encaixar durante uma caminhada pelas “plazas” o Mercado San Pedro, uma confusão de mercadorias, pedestre e comerciantes onde milagrosamente todos se entendem. Uma infinidade de cores, cenário para alguns bons cliques. Por respeito e para não levar uma bela bronca, se o foco do teu interesse estiver em uma pessoa específica ou um pequeno grupo, é de bom tom pedir permissão para fotografar.

O epicentro turístico de Cusco é sem dúvida a Plaza de Armas, a grande praça onde estão alguns dos maiores marcos espanhóis; a Catedral de Cusco e a Igreja da Companhia de Jesus. A praça é cercada de restaurante e serviços diversos ao turista. A uma distância não maior do que 15 minutos a pé encontram-se hotéis para todos os gostos e bolsos, de hostels à hotéis 5 estrelas, como o JW Marriot El Convento. O hotel, caprichadíssimo nos detalhes, é também um museu, já que durante suas obras foram encontradas e preservadas ruínas que prescedem o incas, datando no mínimo de 800 DC.

A cerca de 500 metros da Plaza de Armas está o bairro de San Blas, um dos bairros mais antigos de Cusco, cheio de artistas e lugares descolados para comer e beber. San Blas exprime muito da atmosfera cusquenha, efervescente mas original, a boa convivência entre o novo e o antigo, algo de bonito no feio. Na parte alta praticamente não transitam carros. Uma excelente opção é o Antigua Casona San Blas, um hotel pequeno, charmoso e super simpático.

Criadores do ceviche, do lomo saltado e do pisco sour entre outras delícias, a cozinha peruana é também um caso a parte, estrelando hoje uma série de restaurantes no cenário internacional da gastronomia.

Em San Blas, conferir o Pachapapa, com ambiente muito agradável e porções generosas. O Green Point, um bom vegetariano e com preços honestíssimos. Na Plaza de Armas o Limo é uma ótima opção para se comer bem curtindo um visual com séculos de história. O Cicciolina, no centro, é uma pedida interessante para uma pegada restaurante e bar. Já o museu do pisco não pode faltar no roteiro, em frente ao JW Marriott o bar possui uma vasta carta da bebida, além de oferecer degustações e cursos sobre o destilado de uva.

Cusco não precisaria de nada além de si mesma para estar entre os principais destinos turísticos do Peru. Porém, a ex-capital do império Inca é a porta de entrada para um dos lugares mais icônicos e desejados do mundo; Machu Picchu e o Valle Sagrado.

Uma das obras mais impressionantes e misteriosas que civilizações humanas antigas produziram, Machu Picchu é um santuário da história que permaneceu mais de quatro séculos desconhecida do mundo moderno até ser finalmente encontrada em 1911, intacta, uma pérola arqueológica.

Existem inúmeras formas de se visitar Machu Picchu, pode-se até fazer um corridíssimo bate e volta partindo de Cusco ao amanhecer e voltando a noite, mas sem dúvida há maneiras muito mais proveitosas para se fazer isso. Hospedar-se em um hotel fantástico como o explora Valle Sagrado te proporciona  experiências únicas em um vale lotado de preciosidades culturais e pequenos “pueblos” que ainda nos mostram a vida quechua como de fato ela foi um dia.

Mas acredito mesmo que trilhar por dias entre montanhas incríveis para então avistá-la depois de muito suor e expectativa é algo memorável. Tivemos a oportunidade de fazer com o Mountain Lodges of Peru o caminho de Salkantay, uma das trilhas mais famosas do mundo. Por 7 dias caminhamos num misto de aventura e total conforto até Aguas Calientes, aos pés de Machu Picchu.

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Informações úteis

Quando ir

  • Evite a temporada de chuvas que vai de Novembro à Março. O meses de Julho e Agosto são as férias de verão dos europeus e americanos, portanto devem ser evitados.
  • Se você gosta de festividades planeje ir dia 24/06 quando acontece o Inti Raymi (Festa do Sol). O festival começa no Qoricancha, em seguida, vai para a Praça de Armas e depois é realizada a cerimônia principal na Esplanada de Sacsayhuaman.
  • Nossa experiência: Fomos no final de Outubro e pegamos temperatura agradável, lindos dias e pouquíssima chuva.

Para evitar o soroche (mal de altitude)

Cusco está a 3400m de altitude e realmente nos primeiros dias qualquer caminhadinha de meio quarteirão ou uma pequena escada já nos deixam ofegantes. Uma boa dica para evitar o soroche (termo utilizado pelos locais para o mal da altitude) é se hidratar muito bem, descansar no primeiro dia e evitar bebidas alcoólicas. O chá de coca ajuda na hidratação e tenha sempre em mãos um bom remédio para dor de cabeça e enjôo.

Onde ficar 

O hotel é muito bem localizado e está apenas a 200m da Plaza de Armas, o Marriott preza pelo requinte oferecendo aos seus hóspedes um excepcional café da manhã, excelente spa e uma grandiosa arquitetura. Todo este requinte é o de se esperar, mas a ideia de um hotel de luxo que funciona como um museu é certamente algo novo. Seguindo rigorosamente as orientações do Ministério da Cultura, o JW Marriott Cusco foi construído sobre ruínas incas preservadas e diariamente conduz os seus clientes em uma viagem pelo tempo visitando as ruínas pré colombianas.

Tarifas a partir de R$780,00

Esquina de la Calle Ruinas 432 y San Agustin  Cusco  Peru 

+51-84-582200

www.marriott.com.br

  • Antigua Casona San Blas

O novíssimo hotel (inaugurado em junho/2016) no descolado bairro de San Blas é um ótimo custo benefício para quem deseja conforto e bom atendimento. Localizado em uma antiga casa do século XIX e completamente restaurada, o hotel com apenas 14 suítes tem ar intimista e uma equipe muito atenciosa. Ao cair a noite desfrute um drink a beira da lareira no terraço interno.  Segundo informações que recebemos, em 2017 será inaugurado o spa com sauna, jacuzzi e massagem.

Tarifa a partir de R$300

Calle Carmen Bajo 243, San Blas,  Cusco, Peru

+51 84 200 700
reservas@antiguacusco.com

www.antiguacusco.com.br

Onde comer

Cusco possui tanta oferta de restaurantes que chega a ser difícil escolher o local para sua próxima refeição. O valor dos pratos foi outra ponto que nos chamou a atenção, é muito mais barato comer em um bom restaurante em Cusco do que em um bom restaurante no Brasil. Ficamos apenas 3 dias em Cusco e conseguimos testar os seguintes restaurantes e bares:

  • Pachapapa

Localizado no bairro de San Blas o restaurante é uma ótima pedida para um almoço ao ar livre. Os pratos típicos da culinária cusquenha são preparados no forno a lenha que fica no mesmo pátio onde os clientes desfrutam da comida ao som da arpa andina tocada por um quechua.

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  • Limo

No segundo andar de um imóvel localizado na Plaza de Armas o restaurante foi criado com a proposta de uma culinária moderna dando ênfase ao frutos do mar. Um ótimo local para pedir o famoso ceviche, como prato principal experimente o risoto com frutos do mar e pesto de coentro. Na reserva solicite uma mesa na varanda com uma linda vista para Plaza.

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  • Cicciolina

Misto de bar e restaurante com ambiente interessante e cheio de aromas o lugar é ideal para quem está afim de degustar tapas e bebericar. Se sua opção for partir para um prato principal experimente o linguini com tinta de lula, camarões e molho de leite coco.

  • Museu do Pisco

O interessante bar oferece uma carta extensas da bebida, além degustações e cursos. Não deixe de experimentar o Pisco

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  • Green Point

 Se você procura um local fora do circuito tradicional, esta é sua escolha. O restaurante vegano, possui um cardápio deliciosos de sanduíches e sopas à prato mais elaborados. Localizado em um beco no bairro de San Blas é uma boa opção para um programa mais alternativo.

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