Dicas & Destinos

Em Copenhague, um dia comum já parece perfeito

A cidade onde ir de bicicleta ao trabalho e nadar no porto é só mais uma terça-feira

Copenhague melhor cidade para viver

Copenhague é, mais uma vez, a melhor cidade do mundo para viver. O título não é impressão de quem visita: veio do Índice Global de Habitabilidade, elaborado pela Economist Intelligence Unit, divisão de pesquisa do grupo The Economist. Pelo segundo ano consecutivo, a capital dinamarquesa manteve a liderança do ranking, que avalia 173 cidades ao redor do mundo.

A cidade também já foi eleita a mais feliz do mundo pela Condé Nast Traveler, num levantamento conduzido pelo Institute for Quality of Life entre 30 cidades. O reconhecimento veio pelo investimento em educação e inovação, pela transparência na governança, pela sustentabilidade e pelo acesso à saúde, critérios que se repetem, em outra roupagem, no índice da Economist.

Faz sentido os dois rankings coincidirem no mesmo endereço. O que sustenta a boa avaliação de quem mora em Copenhague é, em boa parte, o mesmo motivo que encanta quem passa por lá em viagem: trânsito tranquilo, pouca poluição, ruas tomadas por bicicletas e uma cultura que valoriza o prazer nas coisas pequenas, resumida na palavra dinamarquesa hygge.

O município de Copenhague tem cerca de 680 mil habitantes. Se contada toda a área urbana, o número sobe para 1,4 milhão, e a região metropolitana completa, que inclui municípios vizinhos e parte da região sueca de Malmö, soma aproximadamente dois milhões de pessoas.

Ainda assim, o centro da cidade não impressiona pela verticalização. Prédios relativamente baixos e uma arquitetura escandinava discreta marcam a paisagem, o que ajuda a explicar por que Copenhague costuma parecer mais caminhável e menos imponente do que outras capitais europeias de peso semelhante. Os moradores, aliás, são conhecidos informalmente como “latinos do Norte”, por conta do forte senso de família e do costume de dedicar tempo aos amigos.


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O Índice Global de Habitabilidade avalia as 173 cidades em cinco critérios: estabilidade, saúde, cultura e meio ambiente, educação e infraestrutura. Copenhague se destaca com folga nessas frentes, e o pódio deste ano segue a tendência dos últimos levantamentos, com forte presença europeia e australiana.

Viena aparece na segunda posição, seguida por Melbourne, Sydney e Zurique, fechando o top 5. O padrão entre essas cidades reforça o que especialistas do setor já apontam há tempos: serviços públicos eficientes, segurança e acesso facilitado à cultura pesam tanto quanto renda na hora de definir onde a vida urbana funciona melhor.

Copenhague reúne cerca de 30 museus, dedicados a temas que vão de arte e música a medicina, comunicação, cerveja, judaísmo, polícia e direito. É um número expressivo para uma cidade do porte dela, e mostra o quanto a produção cultural está distribuída em nichos, não concentrada em dois ou três grandes nomes.

Entre os destaques está o Museu Nacional, que reconta a história dinamarquesa e ainda recebe exposições temporárias sobre culturas distantes. A Galeria Nacional completa o roteiro cultural obrigatório, com uma coleção de arte local e estrangeira que remonta ao século XIV.

Se existe um símbolo definitivo de Copenhague, é a bicicleta. A cidade carrega o título de capital mundial da bicicleta há cerca de cem anos, e a estimativa é de que nove em cada dez dinamarqueses usem o veículo para ir ao trabalho, fazer compras e se locomover no dia a dia.

A infraestrutura acompanha o hábito: são mais de 400 km de ciclovias espalhadas pela cidade, com semáforos exclusivos para bicicletas em diversos cruzamentos. É comum ver famílias inteiras se deslocando em bicicletas de carga, com duas ou três crianças a bordo, uma cena tão cotidiana que já nem chama atenção de quem mora ali.

Esse hábito tem efeito direto na qualidade de vida da cidade. A Dinamarca está entre os países com maior expectativa de vida do mundo, e o uso massivo da bicicleta é apontado como um dos fatores que também colocam Copenhague entre as capitais menos poluídas da Europa.

Documentação: a Dinamarca integra o espaço Schengen, então valem as mesmas regras de visto e seguro obrigatório aplicadas a outros países do bloco europeu. 

Moeda: o país não adota o euro. A moeda local é a coroa dinamarquesa (DKK). 

Deslocamento interno: a malha cicloviária cobre praticamente toda a cidade, e alugar uma bicicleta costuma ser a forma mais prática de conhecer os bairros centrais. 

Cultura: reservar tempo para pelo menos dois ou três dos museus da cidade vale a pena, já que a diversidade temática é um dos pontos fortes de Copenhague.

O reconhecimento de Copenhague não gira em torno de um ou outro ponto turístico, embora eles existam e valham a visita. Gira em torno de um jeito de organizar a vida urbana que prioriza deslocamento simples, contato com a água e o verde, e tempo de qualidade, elementos que qualquer viajante sente na pele mesmo numa passagem curta pela cidade.

Copenhague não está apenas no topo de um índice. Ela virou referência prática de como uma cidade pode ser boa para quem mora e, ao mesmo tempo, inesquecível para quem só passa por ali.

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