O Brasil tem milhões de turistas religiosos e quase nenhum dado sobre eles. Isso vai mudar

O turismo religioso movimenta milhões de pessoas todos os anos no Brasil, lotando hotéis, aquecendo o comércio local e, mesmo assim, praticamente não existe no papel. Não existem dados oficiais consolidados, não existem indicadores de impacto econômico. Um setor gigante que opera, em grande parte, no escuro.
É para mudar esse cenário que o Observatório Internacional do Turismo Religioso Laico no Brasil e na América Latina (OBS) inicia uma nova fase. Sob a presidência do publicitário e produtor cultural Sandro Capadócia, a instituição prepara o 1º Seminário Estadual do Turismo Religioso, uma iniciativa inédita que deve reunir representantes do trade turístico, lideranças religiosas, especialistas e gestores públicos.
“O setor mobiliza multidões e movimenta economias locais, mas ainda é subestimado por falta de dados consistentes. Nosso foco é organizar essas informações, dar visibilidade e atrair investimentos”, afirma Capadócia.
O seminário tem objetivos concretos: criar uma base de dados, mapear novos roteiros da fé, promover capacitação profissional e produzir um documento com diretrizes a ser encaminhado às autoridades. A ideia é começar pelo Rio de Janeiro e expandir para outras regiões do Brasil e da América Latina.
O OBS já assinou um termo de cooperação com o município de Vassouras (RJ) para mapeamento do turismo religioso local, e conta com o apoio do aplicativo Onde Tem Evento RJ na geração de dados do setor.
Mais do que espiritualidade, a proposta enxerga o turismo religioso como vetor de desenvolvimento econômico fortalecendo a hotelaria, a gastronomia, os transportes e o comércio, especialmente em regiões ainda pouco exploradas.
“Precisamos retirar esses produtos turísticos da última prateleira, dando mais visibilidade, com planejamento e investimentos”, reforça Capadócia.
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