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A trilha sonora das revoluções

Quer americana, francesa, russa ou árabe, por convicção ou obrigação, há séculos os compositores criam obras destinadas a apoiar ou comentar as revoluções.

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Compositores de diversos países e épocas têm feito música inspirada por ideias e eventos revolucionários. A Revolução Francesa de 1789, em especial, deixou forte marca em numerosas peças musicais. Porém outros levantes também tiveram sua trilha sonora.

Até hoje, “Yankee Doodle” é uma das melodias populares mais conhecidas dos Estados Unidos. Ela era a canção dos revolucionários que almejavam se libertar da dominação britânica – coisa que alcançariam em 1776. Thomas Jefferson elaborou a Declaração de Independência, enfatizando a liberdade e igualdade de todos os seres humanos. E a Revolução Francesa abraçou essas ideias.

Músico de Napoleão

Etienne-Nicolas Méhul foi o compositor revolucionário por excelência. A ele Napoleão Bonaparte encomendou um hino famoso na virada do século 18 para o 19, “Le chant du départ” (O canto da partida). Porém o líder esnobou a “Missa solene” de Méhul para sua coroação como imperador. Ao compositor francês fica o mérito de ter inspirado Beethoven na “Quinta sinfonia”, apelidada “Do Destino”.

Também o italiano Luigi Cherubini foi contagiado pelo espírito da revolução. Em 1800 sua “ópera de salvação” “Os dois dias, ou O aguadeiro” fez sucesso estrondoso. Esse gênero operístico trata do resgate de uma personagem injustamente perseguida. Aqui, o vendedor de água salva um conde de pagar com a vida por suas ideias progressistas. O obra foi fonte de inspiração para “Fidelio” de Beethoven.

Em 1803 a “Sinfonia nº 3” de Beethoven, apelidada por ele “Eroica”, rompia com todas as convenções do gênero. Mais longa e dramática do que qualquer obra até então, ela nasceu como verdadeira “música da revolução”, em honra a Napoleão. No entanto Beethoven retirou a dedicatória quando o líder francês se fez coroar imperador – traindo, assim, os ideais de liberdade, igualdade, fraternidade.

Homenagem à Revolução Russa

Sergei Prokofiev compôs em 1937 sua “Cantata pelo 20º aniversário da Revolução de Outubro“. Além de um total de 500 instrumentistas e coristas, ela inclui tiros de canhão, metralhadora e sino de alarme. A bombástica obra sobre textos de Marx, Engels e Lenin caiu, no entanto, em desagrado com o ditador Stalin, só sendo estreada em 1966, em versão reduzida.

O poeta e libertário Lord Byron escreveu em 1814 uma “Ode” à abdicação de Napoleão, em que zombava do imperador. Em 1942, sob domínio nazista, Arnold Schoenberg musicou o poema para recitante, piano e quarteto de cordas. Um crítico musical contemporâneo apontou paralelos entre Bonaparte e Hitler – que o compositor politicamente engajado não contradisse.

Beatles, 1968 e “Revolution”

A primeira canção que os Beatles gravaram para o “álbum branco” foi “Revolution”. John Lennon a compôs em 1968, durante uma estada na Índia, inspirado nos protestos estudantis de Paris, na Guerra do Vietnã e no atentado contra Martin Luther King. A “Revolução” dos Beatles, porém, é pacífica, sem tiros nem extremistas violentos.

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