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Visitando e conhecendo a História do Museu do Louvre

Paris sempre foi uma cidade que transpirava história para mim, sendo assim, um lugar perfeito para dar um check com louvor em uma viagem totalmente dedicada à ela. E assim foi feito. Estive por 13 dias em Paris conhecendo muitos dos lugares mais incríveis, tendo experiências diferenciadas, conversando com pessoas reais (totalmente off luxo), usando o transporte público da cidade de todas as formas, dando umas esticadinhas para fora de Paris e fazendo um curso rápido de culinária, uma vez que amo cozinhar. Mas entre tudo que fiz na cidade, eu tinha uma prioridade e não era visitar a Torre Eiffel (o que mais tarde acabei fazendo e me rendendo à sua beleza), e sim visitar o maior e mais famoso museu do mundo, o Museu do Louvre.

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Quem passa por Paris logo descobre que uma visita ao Museu do Louvre é obrigatória, não só por ele ser um dos maiores e mais célebres museus do Planeta, o que por si só justificaria me embrenhar em meio a tantas obras, mas também por sua não menos famosa arquitetura. Localizado bem no centro da cidade-luz, entre o Rio Sena e a Rue de Rivoli, este prédio inusitado, que foi sendo estendido ao longo do tempo, ainda recebeu uma pirâmide de vidro pra lá de fotogênica em seu pátio central, que se justapõe a linha de Champs-Élysées.

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Todo mundo sempre me falou que o Museu do Louvre era enorme, que não seria possível conhecer suas obras em um dia, essas coisas, que eu tinha noção que realmente era verdadeira, mas não fazia ideia do quanto havia de verdade nessa afirmação. O Museu do Louvre não recebeu o título de “Maior Museu do Mundo” à toa. Fiquei sabendo que se uma pessoa parasse apenas dois minutos de frente para cada obra exposta (e existem muuuuuitas outras não expostas) no museu, sem dormir, sair para comer, ir ao banheiro, nadinha disso, ela iria gastar ao menos 400 dias para apreciar tudo. Não seria eu que faria isso em um dia certo?

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Já sabendo dessa dimensão exagerada, sim, tudo no Museu do Louvre é exagerado, eu tratei de selecionar minhas prioridades. Embora quase todo mundo vá ao Louvre para apreciar La Gioconda, ou, para os íntimos, Mona Lisa, um óleo sobre madeira pintado pelo renascentista italiano Leonardo da Vinci entre os anos 1503 e 1506, essa não passava nem de longe pelo meu interesse. Não sei explicar, mas pra mim já é uma imagem saturada, daí perdi o interesse, até mesmo porque não conseguiria nem chegar perto dela sem ter que me estapear com alguém, incluindo aí uma turma de chineses que estavam empurrando todo mundo, causando uma certa confusão.

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Na verdade, outra belíssima obra de Da Vinci me interessava ver de perto e essa sim eu consegui ver de pertinho, ficar ali parada por um longo tempo admirando cada pincelada: São João Batista. Linda, linda, linda pintura a óleo do apóstolo. E o melhor, não tinha ninguém disputando espaço comigo, talvez por muitos desconhecerem a importância desse quadro e do modelo ali representado. Mas isso é papo para oooutro dia. O fato é que você precisa definir prioridades. Mas como fazer isso? Vamos então a uma tática que aprendi super simples.

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Comece estudando as alas do Museu do Louvre que são divididas da seguinte forma: Richelieu, Denon e Sully. Logo em seguida foque nos departamentos que são: Antiguidade oriental; Egito; Gregos, Etruscos e Romanos; Arte do Islã; Esculturas; Objetos de arte; Pintura e Artes gráficas.

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Uma vez lá dentro do hall central, o da famosa pirâmide, você verá 3 entradas, 3 escadas rolantes que vão dar acesso às 3 alas do museu: Denon, Sully e Richelieu. A partir destas informações fica mais fácil você seguir para conhecer as obras de sua preferência. Pra te dar uma ajudinha, coloquei aqui o link para você se localizar entre as obras de arte expostas no Museu do Louvre

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Sempre fui apaixonada pelo Egito antigo, pela Grécia e seus deuses, pela época medieval e também adoro quadros que representam um momento histórico ou alusão a alguma situação especial. Sendo assim, priorizei minha visita  com foco maior exatamente nesses temas.

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Eu destaco obviamente a belíssima coleção egípcia do museu constando os Tesouros de Tutankamon com relíquias da época do famoso faraó. Destaque para a régua egípcia, que difere da nossa por ter hieróglifos no lugar de números. O Caminho das Esfinges, a Estátua de Ramsés II (um dos faraós mais famosos da história), o Busto de Akhenaton (Pequenas estátuas do Faraó Akhenaton e da Rainha Nefertiti), a Esfinge de Tânis (uma belíssima esfinge encontrada na cidade de Tânis, no Egito, e que ninguém sabe até hoje qual o faraó que ela retrata) e claro, o belíssimo ataúde do sarcófago de Ramsés III.

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Muita gente não faz ideia, mas junto do departamento de pinturas, o das antiguidades egípcias é a parte mais famosa do Museu do Louvre. São testemunhos da história do império egípcio conservados ali e colocados à disposição do público. Afrescos, objetos do cotidiano, esculturas e, naturalmente, sarcófagos compõem a coleção. 

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Desde 1997, o departamento egípcio ocupa dois níveis do edifício Sully no térreo e no primeiro andar. Por razões práticas, os objetos mais pesados são conservados no térreo, como as lendárias esfinges, ou ainda os sarcófagos. Isto permite, entre outras coisas, limitar o desgaste que poderia ser provocado durante a reorganização do Grande Louvre. Jean-François Champollion tinha uma visão muito estudiosa do departamento egípcio. O aspecto estético vinha, portanto, depois da visão histórica e etnológica. Sendo assim, decidiu-se que o primeiro andar do edifício Sully iria expôr as peças em ordem cronológica, de modo a permitir o estudo das evoluções estéticas. O departamento conserva também objetos da época copta, isto é, do Egito cristão. Sem dúvida alguma, uma das mais belas obras do Louvre.

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Outras obras também muito interessantes para apreciar são o Código de Hamurabi, a Psiqué Reanimada pelo Beijo de Eros, Victória de Samotrácia, a Liberdade Guiando o Povo (de Delacroix), a Coroação de Napoleão (de Jacques Louis David), a Vênus de Milo e obviamente os apartamentos de Napoleão III (lindíssimo! Eram os aposentos do antigo imperador francês e sobrinho de Napoleão Bonaparte).

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Não deixe de visitar também o Louvre Medieval, uma área contendo as fundações do antigo forte medieval que havia naquela região, quando o Louvre ainda era uma fortaleza. 

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Se um ser de outro planeta desejasse ter acesso a uma amostra significativa da arte e da cultura terrestre, encontraria com certeza uma síntese da produção humana nos corredores do Louvre. Este edifício foi arquitetado entre 1852 e 1857, durante o reinado de Napoleão III. Ele serviu de sede do Ministério da Fazenda, de 1871 a 1989. Antes, porém, foi conhecido como ‘Castelo do Louvre’, instituído por Filipe II, em 1190, para atuar como um forte na defesa de Paris contra os vikings; foi testemunha histórica da Idade Média; depois passou por diversas mudanças, ganhando status social ao metamorfosear-se em castelo real. Vários reis concorreram para gerar o formato que atualmente define o Louvre.

O Louvre na Idade Média

Escavações arqueológicas permitiram detectar a presença de caçadores coletores no setor do Louvre. A bacia parisiense já era então frequentada. Esta zona geográfica tornou-se rapidamente uma capital. Na Idade Média, o rei Filipe Augusto (1165-1223) decidiu construir uma fortaleza composta de uma masmorra e um recinto quadrado. Este forte militar tinha por objetivo reforçar a muralha construída nessa época e que devia proteger Paris. 

O início do Museu do Louvre

Enquanto a corte do Rei Sol instalava-se em Versalhes, o Palácio do Louvre foi ocupado por nobres, intelectuais e artistas que tinham ali sua residência. Estes apresentaram ao rei um projeto de museu. Luís XVI gostou desta ideia e começou os trabalhos de adaptação. Foi a Revolução francesa que fez com que a Grande Galeria fosse aberta ao público. As obras das coleções reais estão expostas ali. As coleções aumentaram progressivamente com os confiscos e os sucessos militares. Doações privadas ofereceram também a oportunidade para que o Louvre adquirisse novas peças. Enquanto Napoleão Bonaparte (1769-1821) se instalou no palácio des Tuileries, o imperador fez do Louvre um grande museu com a ajuda de seu primeiro diretor Dominique Vivant Denon (1747-1825). Este último organizou as coleções. Mais tarde, Carlos X (1757-1836) construiu uma nova galeria ao longo da Rivoli, paralelo àquela construída por ordem de Henri IV. Os departamentos das antiguidades gregas e egípcias foram criados e receberam o nome de Museu Carlos X. Foi durante o Segundo Império que o Louvre adquiriu a silhueta que conhecemos hoje. Foram construídos dois corpos de edifícios que cercam o pátio Napoleão onde encontra-se hoje a Pirâmide do Louvre. Novas salas foram preparadas para o museu, o Louvre dispunha de escritórios para os ministérios e estábulos foram instalados. Os trabalhos estenderam-se até as Tuileries que Napoleão III desejava restaurar começando com a destruição da galeria que estava ao longo do Sena. Infelizmente, este projeto não foi levado adiante devido aos acontecimentos da Comuna durante os quais o Palácio des Tuileries foi incendiado.

O Louvre durante a Segunda Guerra Mundial

Em 1940, a França sofre uma derrota para o exército alemão. Hitler chega então a Paris. Sua cobiça sobre o patrimônio francês não é um segredo. No entanto, quando os nazistas entram no Museu do Louvre, tudo o que encontram são salas vazias. Jacques Jaujard já tinha previsto em segredo a evacuação de cerca de 4000 obras a fim de protegê-las e mantê-las longe dos conflitos armados.

A cobiça da Alemanha nazista face às obras do Louvre 

A Alemanha nazista dispõe de um serviço dedicado à pilhagem do patrimônio dos países vencidos. É uma unidade especial de pilhagem (ERR) que se encarrega de tomar para a Alemanha as obras de arte. São confiscadas como tesouros de guerra. Foi assim que os museus foram esvaziados e que colecionadores foram roubados. Para evitar este drama no Louvre, Jacques Jaujard então diretor dos museus nacionais prepara um plano de evasão para as coleções do Palácio Real. Muito preparado, ele organiza com estratégia a fuga das obras, mesmo as mais monumentais para que escapem das autoridades alemãs e mesmo do governo de Vichy então instalado. A sua experiência na evacuação do museu do Prado durante a guerra civil espanhola com o envio de suas coleções à Suíça o deixa um passo na frente dos nazistas. O talento de Jacques Jaujard está, pois, na diplomacia que ele mostra. Ele consegue não somente proteger as obras do Louvre com a ajuda de cúmplices, mas engana o governo francês sendo um funcionário público. O segredo é bem guardado e, no momento da capitulação do exército alemão, os tesouros do museu podem voltar à vitrina.

Uma campanha de salvamento de grande escala

É necessário imaginar a transferência secreta de 4000 peças do Louvre. Algumas têm dimensões colossais, outras pesam toneladas. Por último, está fora de questão danificar os objetos frágeis ou furar uma tela. Tudo não se fez numa noite. Realmente, foram necessários vários anos para que as obras fossem espalhadas pela França. A maior parte é conservada no castelo de Chambord no vale do Loire.

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A história do salvamento das coleções do Museu do Louvre foi por muito tempo um mistério. Jacques Jaujard sempre foi discreto sobre a maneira como a operação foi organizada, apesar do sucesso e do papel decisivo que teve para o país.

Informações complementares

Os ingressos custam 17 euros e podem ser adquiridos com antecedência no site oficial do museu. Dá para comprar na hora? Dá, mas você certamente vai enfrentar longas filas dependendo do horário em que fizer a visita e da época em que for viajar. O Louvre aceita também o Paris Museum Pass, que é um passaporte turístico que dá direito a entrada em inúmeras atrações da cidade.

Fique muito atento na hora de pegar sua fila.  Existem filas diferentes e devidamente sinalizadas para quem não tem ingresso, para quem tem ingresso da internet e para quem vai entrar com o Museum Pass. No primeiro domingo de cada mês, de outubro a março, a entrada é gratuita. E se você preferir, existem visitas guiadas diariamente, em francês e inglês, mas os ingressos só podem ser comprados na bilheteria e no mesmo dia da visita.

Metrô: Estação Palais du Louvre (linhas 1 e 7).

Aberto aos domingos, segundas, quintas e sábados, das 09:00 às 18:00. Quartas e sextas, das 09:00 às 21:45. Fechado às terças – feiras, 1º de janeiro, 1º de maio, 1º de novembro e 25 de dezembro.

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