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Brasil deve aprender com legado de Londres


A tradicional cidade turística de Londres que recebeu, apenas em 2011, pouco mais de 15 milhões de turistas tem amargado os números das Olimpíadas de 2012. Isso porque, com a expectativa de 300 mil visitantes para o evento, números preliminares mostram que apenas 100 mil deles estariam passeando pela cidade e colocando os níveis de ocupação hoteleira na margem dos 80%.

Preocupados em hospedar o público estimado, a cidade elevou sua capacidade para 135 mil leitos. “Essa é uma preocupação natural das autoridades e da sociedade civil, mas é um erro crasso. A dinâmica e a rotatividade da hospedagem se adaptam à oferta disponível, por isso não se pode criar o mesmo número de leitos para a quantidade de público estimado. Se fôssemos analisar sob esta ótica, Londres não teria capacidade para acomodar os turistas das Olimpíadas e não é o que estamos vendo”, explica Julio Serson, vice-presidente de Relações Institucionais do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, o FOHB.

Demanda de turistas e ocupação hoteleira estão aquém da expectativa das Olimpíadas 2012

Serson ainda alerta para o fato de que o Brasil poderá passar pela mesma situação se a preocupação focar exclusivamente no número de leitos ofertados pelo País. “Os novos empreendimentos que devem estar prontos até a Copa 2014 serão suficientes para atender a demanda extra de turistas, inclusive para as Olimpíadas de 2016. O que poderia haver é um melhor planejamento das reservas, até mesmo com participação das prefeituras indicando as melhores ofertas de hospedagem, assim como fez Londres”, conclui Serson.

Apenas para atender à demanda da Copa 2014 nas cidades-sedes, já está prevista a inauguração de 21.143 leitos adicionais à oferta existente, de acordo com dados do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB). As capitais com maior número de novas habitações até 2015 são Belo Horizonte (5.778), Brasília (2.214), Salvador (2.135), Manaus (1.195) e Cuiabá (1.070), cidades que, inclusive, correm risco de sofrer com os efeitos da superoferta de leitos.

Julio Serson

Presidente do Grupo Serson.

Ocupa o cargo de vice-presidente de Relações Institucionais do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), tendo já ocupado o cargo de presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de São Paulo (ABIH-SP).

É formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) com especialização em Hotelaria pela Universidade de Cornell, nos EUA.

www.gruposerson.com.br

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