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Coldplay e a catarse coletiva de uma noite no Rock in Rio

As projeções no palco, o show de pirotecnia e a chuva de papel coroaram a performance de Coldplay na edição do reencontro como uma das maiores apresentações da história do Rock in Rio

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Coldplay / Getty Images

Eu poderia iniciar esse texto dizendo que “nunca antes tivemos um show assim no Rock in Rio, mas poderia parecer muito exagerado para alguns, especialmente para quem não curte muito o som da banda britânica Coldplay. No entanto, a observação que faço de uma vida frequentando Rock in Rio, seja como espectadora lá nas primeiras edições, incluindo 1985, até as mais recentes, realizando cobertura do festival desde 2011, posso dizer que tenho essa certeza. Nunca havia presenciado um momento tão catártico no festival.

O presidente do festival, Roberto Medina disse na noite de sábado que “só houve um momento como o de hoje, o de Freddie Mercury em 1985. Foi incrível, foi memorável”. Eu diria que um pouquinho além, tivemos uma festa de luzes e cores como nunca tivemos antes. Onde os fãs do festival viveram uma noite histórica na Cidade do Rock e nem mesmo a chuva foi capaz de apagar a magia que ocupou cada canto dos seus de 385 mil m2. A banda britânica comandou uma grande festa, com um supershow não só em cima do Palco Mundo, mas que se estendeu por toda a plateia. Com as tradicionais e emblemáticas pulseiras luminosas que piscavam e mudavam de cor em sincronia com as músicas, além de chuvas de papel picado em diferentes canções, a banda britânica promoveu um verdadeiro espetáculo que emocionou quem acompanhava do gramado e de casa. No setlist, Coldplay tocou todos os seus maiores hits, como “Viva la Vida”, “Paradise” e “Yellow”, que eram acompanhados do início ao fim pelo público.  

Do início ao fim da apresentação, a banda demonstrou muita simpatia, carisma e energia, com Chris arriscando algumas frases em português. O público vibrava a cada canção e fazia coro em todas as músicas, com destaque para “Viva la Vida”, “Paradise”, “Yellow”, “Clocks” e “Fix You”. As projeções no palco, o show de pirotecnia e a chuva de papel coroaram a performance de Coldplay na edição do reencontro como uma das maiores apresentações da história do Rock in Rio. 

De forma alguma pretendo desmerecer os outros artistas que já se apresentaram, mas nunca havia observado pessoas em tão elevado estado de espírito, com tanta afetividade aflorada, com verdadeiros sorrisos carregados de lágrimas de emoção. Esta, quase psicóloga e Antropóloga em formação, pode afirmar que nesta noite tivemos uma espécie de catarse coletiva na Cidade do Rock, capitaneada por Chris Martin e sua banda.

E teve mais

Abrindo o Palco Mundo na noite deste dia 10, Djavan fez uma estreia emblemática no Rock in Rio. Com um setlist feito exclusivamente para o festival, o cantor fez questão de colocar canções já bastante famosas, como “Sina”, “Samurai” e “Devorar” conquistando toda a plateia logo na primeira música. 

Segunda atração a subir no Palco Mundo, os britânicos do Bastille empolgaram o público ao cantar seus maiores sucessos “Happier”, “Of The Night” e “Pompeii”. O simpático vocalista da banda, Dan Smith, ganhou o público ao arranhar um português quando foi conversar e interagir com os fãs.  

A cubana Camila Cabello fez sua estreia na Cidade do Rock em grande estilo e encantou o público com canções que misturam pop e música latina, além de influências de hip hop e reggaton. A artista abriu a apresentação com um de seus maiores sucessos, “Senhorita”. Em outro momento marcante do show, ela recebeu L7nnon, MC Bianca e Biel do Furduncinho para cantar o hit “Ai, preto”. Cabello também colocou todo mundo para dançar com “Havana” e “Never be the same”.  

Palco Sunset vai da MPB ao samba 

Bala Desejo foi a primeira banda a subir na tarde de sábado no Palco Sunset. Formada por um poderoso quarteto de expoentes da música, Lucas Nunes, Zé Ibarra, Dora Morelembaum e Júlia Mestre, a banda conquistou o público que acompanhou a apresentação com seu estilo único e tropical.  

Em seguida, o trio do Gilsons convidou Jorge Aragão para um show emocionante. Em um clima descontraído, Fran, João e José, netos e filho de Gilberto Gil, envolveram a plateia em um show com um repertório formado por muito samba e músicas do álbum de estreia do trio, “Pra gente acordar”, lançado em 2022. O público também vibrou muito quando Jorge Aragão se juntou aos Gilsons e, juntos, cantaram “Eu e você sempre”, “Vou Festejar” e “Se eu quiser falar com Deus”, música de Gilberto Gil.  

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Logo depois foi a vez da espetacular Maria Rita, acompanhada de sua superbanda, trazer o samba para o Sunset. À vontade em cima do palco, a cantora fez o show inteiro de pés descalços e ficou encantada com os fãs efervescentes que a acompanharam durante toda a apresentação. Hits como “Cara Valente”, “O Bêbado e a Equilibrista” e “É”, de Gonzaguinha, estavam presentes no repertório de Maria Rita. No fim da apresentação, Maria, que fez aniversário na sexta-feira, se emocionou quando a plateia contou parabéns.  

O headliner da noite foi CeeLo Green. Com um figurino cheio de brilho e muita dança, ele fez um tributo ao mestre James Brown com direito a participação especial de Luísa Sonza em “It’s a Man’s Man’s Man’s World”. Além dos sucessos de Brown como “Get Up (I Feel Like Being a) Sex Machine” e “I feel good, o artista apresentou músicas de seu repertório como “Crazy”, do Gnarls Barkley, e “Fuck You”.  

Fenômeno Jovem Dionísio se apresenta no Supernova 

Impossível ter vivido no ano de 2022 sem escutar o refrão de “Acorda, Pedrinho”. A música viralizada nas redes sociais faz parte do repertório da banda paranaense, Jovem Dionísio. Os artistas se apresentaram na tarde de sábdo no palco Supernova, espaço dedicado aos expoentes da música nacional e artistas consagrados que estejam experimentando novos caminhos.  

Inspirado em uma grande máquina que ganha vida com uma cenografia em movimento, luzes piscantes e efeitos visuais, o palco recebeu capixaba Macacko, ex-integrante da banda Símios que agora segue em carreira solo; o multi-instrumentista João Napoli, ex-participante do The Voice Kids; o grupo Daparte, uma reunião dos músicos Juliano Alvarenga, João Ferreira, Bernardo Cipriano, Túlio Lima e Daniel Crase.   

O Supernova surgiu na Cidade do Rock pela primeira vez em 2019 e mostrou que veio para ficar – trazendo artistas que estão dando os primeiros passos na música ou decidiram experimentar novos caminhos.

E no Espaço Favela

Na última edição do Rock in Rio, em 2019, o Espaço Favela encantou o público ao lançar luz para os talentos nascidos nas comunidades e subúrbio do Rio de Janeiro – seja da música ou da gastronomia. Este ano, o palco chega ainda mais robusto e conta com telões em formato de outdoor e uma cenografia renovada. Desde o primeiro dia de festival, o espaço vem ficando lotado de pessoas que chegam para prestigiar os artistas ou que acabam parando por ali atraídas pela sonoridade das músicas.  

Para Ferrugem, a emoção de participar do festival foi tão grande, que ele pensou ser um trote quando recebeu o convite, não acreditou na hora. “É foi muito importante para mim. Estou trabalhando aqui agora para que as pessoas da favela tenham mais notoriedade. Eu podendo ter a minha voz como amplificadora dessa mensagem, de fazer a galera entender do que é feito a favela, é maravilhoso”, conta. Thiaguinho também estava animado com a apresentação. “É um prazer imenso participar do Rock in Rio junto com o Ferrugem. Esse convite me fez poder trazer a nossa música para cá, trazer o nosso samba para esse festival tão importante para o mundo inteiro e aqui no nosso país”, disse.   

Quem também arrebatou uma multidão foi o trapper Orochi. Ele, que em 2019 tentou vir ao festival para assistir ao show de seu ídolo Drake, mas não conseguiu ingresso, retornou desta vez para se apresentar no Espaço Favela.

O primeiro a subir no palco neste sábado foi EL PAVUNA, revelado como nova potência musical em ascensão nas rodas cariocas pelo coletivo autoral intitulado Aos Novos Compositores.   

Rock District reuniu veteranos do rock nacional 

No Rock District, o ator e cantor Thiago Fragoso agitou o público ao subir no palco. Em seguida, foi a vez da All Stars Rock Band, grupo inédito formado especialmente para o Rock in Rio, composto pelo vocalista Dinho Ouro Preto, o guitarrista Andreas Kisser (Sepultura), o baterista João Barone (Paralamas do Sucesso), o baixista PJ (Jota Quest) e o guitarrista Liminha.   

Para Dinho, que abriu o Palco Mundo com o Capital Inicial no sábado (9), se apresentar no Rock District teve um gosto diferente, mas muito especial. “Eu gosto de tocar em lugares pequenos. É uma experiência literalmente oposta, mas igualmente intensa pelo fato de você conseguir estender a mão e tocar nas pessoas, olhar nos olhos, é mais individual. E isso acaba criando um elo com o público. Em um show grande como o de ontem, você acaba se dirigindo a uma multidão. Aqui, você se dirige ao indivíduo. Eu gosto das duas experiências”.   

Veterano no festival, Dinho já tocou no palco do Rock District homenageando o punk rock em 2019. Para esta apresentação, que contou com clássicos como “Come Together”, dos Beatles, “(I Can’t Get No) Satisfaction”, de The Rolling Stones, e “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin, o tema escolhido reflete a cultura de uma década.  ”A nossa escolha foi anos 1960, o que abre as portas para que, nas próximas edições, passe para a década seguinte. Ou podemos fazer anos 1960 parte II, já que muita coisa boa ficou de fora”, conta.  

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