Variedades & Tecnologia

O turista virtual e o real

Por Marcelo Valente

É inegável que o setor de turismo foi o que mais sofreu impacto com a internet. A facilidade de adquirir serviços e/ou produtos turísticos on-line mudou substancialmente os canais de distribuição do turismo e criou um turista totalmente independente. Será?

Mas não foi só o crescimento da compra on-line que provocou mudanças no setor. A internet por si só, como uma grande provedora de informações, aproximou cliente e fornecedores e deu poder ao consumidor com toda a informação on-line disponível, além de condições de negociar e buscar os melhores serviços pelos melhores preços praticados. Inclusive dotados destas informações on-line utiliza-as para compra nos canais de distribuição tradicionais onde acaba impondo sua vontade. Não é raro ouvir que muitas vezes o clientes está melhor preparado que o vendedor sobre determinado destino.

ipad

O curioso é que toda essa mudança é exercida na compra quando o turista ainda está em seu domicílio. Entretanto, quando esse mesmo cliente dito independente chega no destino de sua escolha, todo aquele conhecimento e poder perdem-se e ele se torna inexplicavelmente uma presa fácil de verdadeiros “urubus” que estão ali apenas pra tomar-lhe dinheiro, sem qualquer cerimônia, compromisso com a qualidade ou com o preço justo.

A lista é grande, obviamente nem todos os profissionais agem assim, mas uma parte dos taxistas, recepcionistas e mensageiros de hotéis, guias, motoristas de turismo entre outros estão a serviços apenas de polpudas comissões de fornecedores de toda a ordem da cadeia turística que vai de restaurantes e atrativos turísticos a serviços de transporte, por muitas vezes clandestinos, e até lojas estão a caça desse turista desavisado. Uma pena. E essas comissões são como verdadeiros caixas dois nas empresas que pagam e por aqueles que recebem criando um círculo vicioso e de forte impacto negativo ao turismo nacional.

Em regra são serviços de baixa qualidade, pois não há como manter um serviço bom se dando ao luxo de comissionar atravessadores em até 30% da sua receita. Quanto maiores os ganhos, os atravessadores se multiplicam atrás do dinheiro fácil, e que o conquista sem a menor qualificação e pudor.

Desde de sempre ouço que o grande negócio do turismo é explorar a atividade turística e não o turista. Mas na prática é completamente o inverso e que temos é a exploração pura e com requinte de crueldade do turista brasileiro e estrangeiro quando se dispõem a visitar o Brasil.

Taí um bom exemplo que na Internet, ainda que o elevado nível de informação seja alto, não conseguiu resolver problemas de um turista na vida real.

computador home office


Marcelo Valente dirige várias empresas ligadas ao setor turístico em Foz do Iguaçu. Transformou uma pequena agência receptiva em uma das mais bem sucedidas agências de turismo do Brasil. Fazendo com que a Loumar Turismo com atuação local concorra com grandes players do mercado através de ferramentas digitais. Valente acredita na expressão “tecnologia humanizada” onde a mão de obra humana é o plus para as facilidades que o mundo digital proporcional. É diretor-adjunto de agências digitais da ABAV-PR, onde organizou a primeira pesquisa para traçar o o perfil do mercado paranaense mediante as novas tecnologias. Organizou o Encontro Internacional de Blogueiros de Turismo e a ação BlogTurFoz, considerados eventos pioneiros no marketing turístico do Brasil.?

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