Instalação imersiva da artista Flávia Junqueira ocupa o palco do Theatro Municipal do Rio com balões, sons e interação do público

No dia 15 de março, o palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro deixa de ser apenas cenário de óperas, balés e concertos. A artista Flávia Junqueira ocupa a Sala de Espetáculos com uma instalação imersiva construída a partir de balões coloridos, efeitos de fumaça e paisagens sonoras coletadas em parques de diversão ao redor do mundo.
Durante cerca de 40 minutos, o público entra no palco e passa a circular dentro da obra. A experiência acontece ao longo do dia, entre 10h e 17h30, em sessões de visitação que transformam o espaço cênico em ambiente de convivência e observação.
A mudança parece simples. Não é. O palco deixa de ser um lugar visto à distância e passa a ser um território atravessado pelo público.
A instalação proposta por Flávia Junqueira parte de um princípio simples: a obra não permanece intacta.
Os balões que ocupam o palco não são substituídos durante o dia. Eles esvaziam, estouram, deslocam-se pelo espaço. O tempo interfere diretamente na composição.
Segundo a artista, essa escolha assume a fragilidade dos materiais utilizados.
“A instalação é viva. Começa de um jeito e termina de outro, pois não há reposição de balões. Assumimos a fragilidade e o tempo dos elementos que usamos”, afirma Junqueira.
Essa decisão desloca a lógica tradicional das exposições, nas quais a obra tende a permanecer preservada. Aqui, o público acompanha uma transformação contínua.
Cada visita encontra um cenário ligeiramente diferente.
O contraste entre balões coloridos, objetos geralmente associados a festas e parques de diversão, e a arquitetura solene do teatro é um dos motores da instalação.
Ao espalhar essas formas leves pelo palco, a artista desloca a leitura do espaço. A simetria da arquitetura perde centralidade. O olhar passa a circular.
Esse tipo de intervenção aparece com frequência na trajetória de Junqueira. Suas obras costumam ocupar edifícios históricos, teatros e palácios, espaços carregados de significado institucional.
Os balões introduzem um outra lógica, eles não seguem a disciplina do edifício. Flutuam, acumulam-se, ocupam cantos inesperados. A cena se reorganiza.
Um teatro pensado para ser contemplado
Inaugurado em 1909, o Theatro Municipal nasceu em um momento de transformação urbana do Rio de Janeiro. A cidade passava por reformas profundas e buscava afirmar sua imagem de capital moderna. O edifício, inspirado nos grandes teatros europeus, tornou-se rapidamente um símbolo dessa ambição cultural.
Durante décadas, o espaço consolidou um protocolo claro: artistas no palco, público na plateia. A arquitetura monumental reforça essa lógica.
Quando uma instalação ocupa o palco e convida visitantes a caminhar por ele, essa relação muda.
O visitante não observa apenas a obra. Observa também o teatro a partir de um ponto de vista raro.
A instalação já passou por palcos importantes da Europa. Foi apresentada no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, em 2024, e no Gran Teatre del Liceu, em Barcelona, em 2022. Cada montagem responde à arquitetura do lugar que a recebe.
Abrir o palco do teatro para circulação do público altera a maneira como o espaço é percebido.
O visitante observa detalhes invisíveis da plateia: a altura da caixa cênica, a dimensão real do palco, a proximidade das pinturas e esculturas que compõem o interior do edifício.
A instalação não funciona apenas como obra visual. Ela reorganiza a experiência do próprio teatro. A gente sabe que o palco continua o mesmo, o que muda é o lugar do espectador dentro dele.
Serviço
Instalação Imersiva – Flávia Junqueira
Data: 15 de março
Horário: 10h às 17h30
Duração da visita: cerca de 40 minutos
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Endereço: Praça Floriano, s/nº – Centro
Ingressos
Inteira: R$ 50
Meia-entrada: R$ 25
Venda online:
www.theatromunicipal.rj.gov.br
Classificação: Livre
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