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Destinos de afroturismo e turismo cultural no Brasil

Do Cerrado à Amazônia, o afroturismo e o turismo cultural no Brasil revelam roteiros em quilombos e territórios tradicionais que preservam memória, identidade e natureza

Destinos de afroturismo e turismo cultural no Brasil
Conjunto Arquitetônico de Alcântara – Foto: Wikipedia

Viajar pode ser um ato de reconhecimento histórico. O afroturismo no Brasil vem se consolidando como uma das formas mais potentes de explorar o país com consciência cultural, valorização da memória e conexão com comunidades tradicionais. Aqui, o destino não é apenas geográfico, é também ancestral.

Essa modalidade coloca no centro da experiência os territórios quilombolas, a cultura afro-brasileira, os saberes transmitidos entre gerações, a espiritualidade, a gastronomia e as formas coletivas de viver e cuidar da terra.

Mais do que tendência, é uma mudança de perspectiva: o viajante deixa de ser espectador e passa a ser alguém disposto a ouvir, aprender e respeitar narrativas historicamente silenciadas.

O afroturismo é uma vertente do turismo cultural e do turismo de base comunitária que valoriza a herança africana na formação do Brasil. Ele promove experiências em territórios negros tradicionais, fortalece economias locais, contribui para a preservação do patrimônio cultural e ambiental e amplia o entendimento sobre identidade brasileira.

É uma forma de viajar que une cultura viva, justiça histórica e turismo sustentável.

Serra da Barriga (AL)

Símbolo maior da resistência negra no país, a Serra da Barriga foi o coração do Quilombo dos Palmares, onde milhares de pessoas escravizadas construíram uma sociedade livre e organizada. Hoje, o território reconhecido como patrimônio cultural brasileiro é espaço de memória, espiritualidade e educação histórica.

Alguns roteiros levam o visitante por trilhas interpretativas, marcos históricos e espaços simbólicos que resgatam a trajetória de líderes como Zumbi e Ganga Zumba. A paisagem de mata atlântica, o silêncio do topo da serra e a força simbólica do lugar criam uma experiência que mistura natureza, emoção e consciência histórica. Não é apenas um passeio, é um mergulho na formação social do Brasil.

Território Kalunga (GO)

No norte de Goiás, o Território Kalunga abriga a maior comunidade quilombola do Brasil, espalhada por vales, serras e rios do Cerrado. O isolamento geográfico ajudou a preservar tradições, festas religiosas, modos de cultivo e práticas comunitárias que atravessam gerações.

Uma imersão completa inclui trilhas por paisagens de cerrado nativo, banhos de cachoeira e contação de histórias feitas pelos moradores. A

Salvador e Recôncavo (BA)

A Bahia é um dos principais territórios da herança africana no Brasil. Aqui um bom roteiro costura diferentes paisagens e contextos históricos em Salvador, com seus terreiros, ritmos, culinária e arquitetura colonial e Cachoeira, no Recôncavo, marcada por tradições religiosas, festas populares e forte presença da cultura afro-brasileira.

Sem deixar de incluir, claro, as praias de Itacaré e Ilhéus, onde a cultura negra se expressa na música, na gastronomia, no cotidiano e nas celebrações. É uma viagem que mostra como ancestralidade, natureza e identidade cultural caminham juntas.

Quilombo da Praia Rasa (RJ)

No litoral de Búzios, longe da imagem exclusiva de balneário sofisticado, o Quilombo da Praia Rasa revela outra camada da história da Região dos Lagos. A comunidade é formada por descendentes de pessoas negras que ocuparam o território após o período da escravidão, mantendo laços com o mar, a pesca artesanal, a cultura oral e a relação coletiva com a terra.

O local se torna um importante ponto de afroturismo no Brasil ao mostrar que a presença negra também construiu os espaços litorâneos hoje associados ao turismo de luxo. As vivências ali envolvem rodas de conversa, memória comunitária, culinária tradicional, manifestações culturais e o contato com a paisagem costeira que sempre sustentou a vida local.

Visitar a Praia Rasa sob a perspectiva do turismo cultural e de base comunitária é entender as disputas por território, identidade e permanência que marcam a história de muitas comunidades quilombolas no país. A experiência convida o viajante a enxergar Búzios para além das praias famosas, reconhecendo o valor da cultura afro-brasileira na formação da região e a importância da preservação desses territórios tradicionais.

Amazônia com o povo Shanenawa (AC)

Na floresta amazônica do Acre, o povo Shanenawa revela a profundidade dos saberes indígenas. Alguns roteiros propõem  atividades que incluem trilhas com ensinamentos sobre plantas medicinais, oficinas de artesanato, pintura corporal, cantos e rituais que expressam a relação espiritual com a floresta.

Uma experiência rica que amplia o entendimento sobre ancestralidade indígena e mostra como o turismo de base comunitária pode fortalecer autonomia, cultura e conservação ambiental.

Vale do Ribeira (SP/PR)

Entre São Paulo e Paraná, o Vale do Ribeira concentra comunidades quilombolas inseridas em áreas preservadas de Mata Atlântica. Quilombos como Ivaporunduva e Mandira desenvolvem experiências que combinam trilhas, sistemas agrícolas tradicionais, culinária e artesanato.

Quilombo do Campinho (RJ)

Localizado em Paraty, o Campinho é referência nacional em turismo comunitário quilombola. A vivência inclui culinária tradicional, oficinas, apresentações culturais e conversas sobre território e identidade.

É uma oportunidade de conhecer a história viva da população negra no litoral fluminense e refletir sobre resistência e pertencimento.

Alcântara (MA)

Conhecida pelas ruínas coloniais, Alcântara também abriga comunidades quilombolas que preservam tradições, festas e modos de vida herdados da diáspora africana. O turismo ajuda a revelar essas camadas da história e a importância da presença negra na formação do Maranhão.

Oriximiná (PA)

No oeste do Pará, comunidades quilombolas às margens do rio Trombetas mantêm modos de vida ligados à floresta e aos rios. A experiência envolve navegação, histórias locais e contato com a cultura ribeirinha afro-amazônica.

O afroturismo e o turismo cultural no Brasil mostram que viajar pode ser instrumento de valorização cultural, fortalecimento de comunidades tradicionais e preservação ambiental. São experiências que conectam história, natureza e gente de verdade, e ajudam o viajante a compreender o país a partir de suas raízes mais profundas.

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